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O cruzeiro do terror

Muita gente gosta de frio, mas tem o mesmo tanto, ou mais, que abomina a ideia de viver encapotado por semanas a fio e pegando um resfriado atrás do outro.

Imagine então o que sentem os habitantes do hemisfério norte, onde o frio, que é de verdade, faz as cidades de inverno brasileiras parecerem verdadeiros balneários. Esse escriba já experimentou o efeito de 17 graus negativos sobre a carcaça e garante que não é brincadeira.

Então, imagina-se que para quem vive sob temperaturas glaciais, descongelar em um cruzeiro pelos mares do Caribe deve ser um autêntico sonho de consumo.

E o que pode combinar menos com a lassidão do alto mar regado a frozen margaritas e smoothies do que um...festival flutuante de heavy metal?

A ideia é tão esdrúxula, mas tão esdrúxula, que alguém tinha que inventar. Um navio de 880 pés com todas as mordomias -cassino, sushi bar, decks com piscinas e a majestosa visão do oceano- a serviço de passageiros que querem desfrutar de todo o peso do metal.

Nesse mês de janeiro, flutuando sobre o mar azul e límpido se apresentarão nada menos que 40 bandas pra headbanger nenhum botar defeito. Metade delas oriundas da cena thrash metal dos 80's. Entre um mergulho de piscina e um prato de frutos do mar tocarão: Death Angel, Testament, Voivod, Destruction, Sodom e Agent Steel.

Se o passageiro se deu mal no jogo de black jack, não tem problema. Pode desestressar no convés assistindo a um clássico da New Wave of British Heavy Metal: o veteraníssimo Saxon.

Mas existem aqueles quem preferem o sossego de uma espreguiçadeira enquanto espalham protetor solar. Para esses há opções mais melosas. Que tal a pasmaceira europeia de Gamma Ray, Blind Guardian ou Sonata Arctica?

Até algumas esquecidas bandas de 3 décadas atrás vão pegar carona nesse barco, casos de Raven e Trouble.

Mas, imperdível mesmo, é a parte endemoniada do festival. Já pensou como serão os shows do Marduk e do Malevolent Creation no pomposo navio? O diabo vai botar uma camisa havaiana.

Fato é que o público envelheceu, se capitalizou e transformou-se num filão de mercado interessante para o consumo hedonista. Muito metaleiro de meia-idade já comprou a ideia e deve embarcar levando esposa, filhos e papagaio para ver o Twilight of the Gods interpretando os bestiais clássicos do sueco Bathory.

Mas não se preocupe: se você é abastado, ou abestado, o suficiente para curtir essa onda, ainda dá tempo de adquirir sua cabine no Majesty of the Seas e cair de cabeça no festival. O navio parte de Miami no dia 26 de janeiro, mas os ingressos estão quase esgotados.




Assista acima ao comercial do evento. Senso de humor eles têm.

1 comentários:

Jeferson disse...

O diabo vai botar uma camisa havaiana.

HAHAHA!