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O ano de 2011 na música pop foi das mulheres.

O reinado do R&B vagabundo americano vai muito bem, obrigado. Suas estrelas nunca rebolaram tanto, nem ganharam tanto dinheiro. Na matriz, a morte de Amy Winehouse a transformou imediatamente em ícone e Adele está há trocentas semanas no topo das paradas.

De quebra, PJ Harvey sacodiu a poeira e gravou um dos discos mais aclamados de sua carreira: o poderoso e minimal Let England Shake. Com Polly Jean, não tem erro.

Em meio a tudo isso, houve espaço pra surgir um talento que roubou o brilho: uma inglesa, filha de pai italiano, chamada Anna Calvi. Seu primeiro disco saiu há exatamente um ano e a crítica o colocou no pedestal.

Mas, pelo menos por enquanto, você não vai ouvir Anna Calvi no rádio ou na trilha sonora da novela, ainda que a combinação da beleza gelada com o talento assombroso seja combustível suficiente para fazer dela uma estrela.


A adulação dos fashionistas de Paris é um primeiro sinal de aceitação e pode até repelir o público que desconfia desse tipo de associação marota. Mas não se engane: se Calvi teve seus préstimos requisitados pelo povinho da moda, é porque pouca coisa hoje soa tão cool.

Cantora de voz marcante, interpretações dramáticas e sem maneirismos neo-soul, é claramente inspirada por gente como Leonard Cohen, David Bowie e Elvis. Como Reverend Horton Heat, regravou também a eterna "Jezebel", de 1951, numa pista que mostra por onda anda seu imaginário.

Mas Anna Calvi é também guitarrista de fina estirpe. Suas incursões pelo vibratto surf remetem ao bad ass Link Wray e, mais ainda, ao mestre dos mestres, Ennio Morricone. É como se Calvi estivesse desfiando os nós deixados pelo maestro há 50 anos só pra que sejam, a seu devido tempo, surrupiados por Quentin Tarantino para alguma trilha imaginária.

O drama e a fúria de Anna Calvi são algo do melhor que 2011 nos deixou.


"Blackout": uma das grandes canções do disco de estreia de Anna Calvi


A bela e david-lynchiana "Suzanne And I"
Rock'n'Roll High School
(Rock'n'Roll High School, 1979)
Misture um clipe do Twisted Sister com qualquer filme retardado sobre fraternidades estudantis, de preferência com um aloprado como John Belushi, e você tem Rock'n'Roll High School. Anárquico até o caroço e com a participação dos Ramones como a banda endeusada pelos alunos rebeldes. Já valeria pela imperdível cena com Dee Dee Ramone tocando baixo no banheiro da maluquete Riff Randell.

Estranhos no Paraíso
(Stranger Than Paradise, 1984)
O cineasta cult Jim Jarmusch viu e ouviu tanto punk rock na vida que é o único não-músico entrevistado no documentário Punk: Attitude, de Don Letts. Isso diz alguma coisa. O clássico "I Put a Spell on You", de Screamin Jay Hawkins, dá liga nessa história minimalista sobre um cool e entediado novaiorquino que recebe a inesperada visita de uma prima vinda da Hungria.

Repoman - A Onda Punk
(Repoman, 1984)
Participação do Circle Jerks, ponta do lendário disc-jóquei Rodney Bingenheimer e ótima música-tema de Iggy Pop num dos roteiros mais absurdos de todos os tempos. Mistura de punk rock, OVNI's e teorias conspiratórias com o submundo da busca e apreensão de veículos. Não entendeu? Assista.

Um amor e uma .45
(Love and a .45, 1994)
É o filme que Eddie Spaghetti teria feito se fosse cineasta. Road movie psicodélico sobre um casal de foras-da-lei que foge para o México após se meter numa série de confusões. Tem Peter Fonda como um hippie sequelado pelo ácido e Reverend Horton Heat -em pessoa- tocando num bordel imaginário ao sul da fronteira. Direção musical de Tom Verlaine e trilha sonora faiscante com Butthole Surfers, Flaming Lips, Meat Puppets e Johnny Cash.

Velvet Goldmine
(Velvet Goldmine, 1998)
O herói (ficcional) do glam rock Brian Slade desaparece do mapa após incendiar a década de 70 e forjar a própria morte. Em 84, um jornalista britânico tem a tarefa de encontrar Slade e passar a limpo sua história selvagem na música pop. Livremente inspirado em David Bowie, fase-Ziggy, e em Iggy Pop, via o personagem Curtis Wild, intepretado com vigor por Ewan McGregor.


Quase Famosos
(Almost Famous, 2000)
Cameron Crowe faz um relato semi-autobiográfico sobre sua adolescência como repórter da Rolling Stone. No filme, um garoto de 15 anos embarca na turnê da banda Stillwater -mui inspirada nos Almann Brothers- para conseguir sua primeira matéria. Uma história sobre a perda da inocência, os excessos e a megalomania do rock dos anos 70 entupida de referências.

C.R.A.Z.Y.
(C.R.A.Z.Y, 2005)
Produção canadense traz um drama familiar singular, repleto de referências pop e o melhor uso de Pink Floyd no cinema. O protagonista, Zac, em conflito com a sexualidade, viaja em seu mundo particular ouvindo "Space Oddity", de Bowie, mas tem que lidar com um pai machão cujo maior objeto de fetiche é um LP da cantora country Patsy Cline. Um dos melhores filmes dos anos 00.

Tenacious D - Uma Dupla Infernal
(Tenacious D in the Pick of Destiny, 2006)
Um músico de rua de meia-idade, sustentado pela mãe, ganha um fã incondicional e monta com ele uma dupla que busca chegar ao megaestrelato. Antes disso, porém, eles precisam encontrar uma palheta de guitarra mágica e feita com lascas do chifre do capeta. Participação hilária de Ronnie James Dio e um Jack Black incontrolável.

Adventures of Power
(Adventures of Power, 2008)
Já imaginou escrever um roteiro baseado em personagens que praticam air guitar? Então esqueça: Adventures of Power é mais pirado que isso. O filme trata de um nerd apaixonado por música e com zero talento musical que descobre no air drums sua verdadeira vocação. E tudo vai mudar quando ele se conectar ao submundo dos aspirantes a air drummers. Um besteirol surreal inédito no Brasil.

Piratas do Rock
(The Boat that Rocked, 2009)
Na década de 60, um barco em águas internacionais hospeda uma rádio pirata flutuante com um bando de DJ's alucinados. Recriado com o mood ingênuo da época, o filme é uma homenagem ao rádio e aos swingin' sixties. Atuações imperdíveis de Phillip Seymour Hoffman e Bill Nighy, e uma trilha crocante com Kinks e Stones.

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Nada é impossível: air drums como tema de um longa-metragem


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