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Mostrando postagens com marcador Pink Floyd. Mostrar todas as postagens
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Certa vez uma amiga me disse que não via muita diferença entre Garbage e Britney Spears. Suponho que estivesse dizendo que a banda era tão desprovida de verdade quanto a então estrela teen.

A comparação é esdrúxula, mas entendo. O Garbage é bom e comercial demais pra não parecer armação.

Surgiram no music business como a banda de Butch Vig, o notório produtor de "Nevermind", do Nirvana. Apoiada na credibilidade de Vig, a figura central do grupo era uma cantora escocesa com pinta de modelo de comercial de perfume. De desconfiar.

A sonoridade combinava com tudo isso. Capturou as mudanças de rumo dos anos 90 e herdou as guitarras pesadas do início da década, colocando-as a serviço de uma música pop mezzo eletrônica. Tempos em que também Prodigy, Massive Attack, Björk e Asian Dub Foundation assinavam uma espécie de trilha do fim do milênio.

O Garbage soava como a música mais cosmopolita que podia existir. Dançante, mas com punch. Shirley Manson era ótima de fotografar e melhor ainda de ouvir. No estúdio, criaram canções friamente estudadas, com loops e texturas sofisticadas.


Os dois primeiros álbuns do Garbage foram um estouro. Tocaram e venderam demais. "Only Happy When it Rains", "Stupid Girl", "I Think I'm Paranoid", "Push It". Um hit atrás do outro. E um melhor que o outro.

As canções ganharam vida própria. Me lembro de uma citação bizarra, da atriz Bruna Lombardi, então apresentadora de um programa de entrevistas chamado "Gente de Expressão". Num papo com o grande Richard Wright, tecladista do Pink Floyd, perguntou sobre a influência do clima frio e chuvoso sobre o rock britânico e citou "Only Happy When it Rains" - creditada como uma música do Soundgarden...

Depois de dois discos arrebatadores, o Garbage assinou "Beautiful Garbage", em 2001, e "Bleed Like Me", em 2005. Nenhum deles repetiu o sucesso dos anteriores e a banda entrou num hiato indefinido.

O contexto cultural que amparou o surgimento da banda nos anos 90 não existe mais. A música mudou, o consumo se segmentou e, salvo Coldplay ou alguma porcaria R&B sem gingado, é difícil mensurar o que é hoje, de fato, popular.

Mesmo assim, e espero que motivados pelo genuíno desejo de voltarem a ser grandes artistas, o Garbage anunciou o fim de sua longa hibernação. No mês que vem sai "Not Your Kind of People", quinto álbum de estúdio e o primeiro em 7 anos.

Talvez por isso, o canal Multishow HD andou exibindo um show do Garbage, da turnê de "Bleed Like Me". Se não viu, recomendo. O show rola num lugar aconchegante -espécie de versão reduzida do Via Funchal- e é incrível atestar como aquele som gerado em estúdio funciona bem ao vivo.

A sofisticação pop com ataque de guitarras e letras de rebeldia chic sobre sexo e relacionamentos paranóicos é singular. E envelheceu melhor do que quase tudo gravado na época.

Taí uma ideia para os produtores de shows: Garbage no Brasil em 2012. Por que não?


"Push It": em 1998, um clipe e uma música dessas faziam sucesso. Dá pra acreditar?
Rock'n'Roll High School
(Rock'n'Roll High School, 1979)
Misture um clipe do Twisted Sister com qualquer filme retardado sobre fraternidades estudantis, de preferência com um aloprado como John Belushi, e você tem Rock'n'Roll High School. Anárquico até o caroço e com a participação dos Ramones como a banda endeusada pelos alunos rebeldes. Já valeria pela imperdível cena com Dee Dee Ramone tocando baixo no banheiro da maluquete Riff Randell.

Estranhos no Paraíso
(Stranger Than Paradise, 1984)
O cineasta cult Jim Jarmusch viu e ouviu tanto punk rock na vida que é o único não-músico entrevistado no documentário Punk: Attitude, de Don Letts. Isso diz alguma coisa. O clássico "I Put a Spell on You", de Screamin Jay Hawkins, dá liga nessa história minimalista sobre um cool e entediado novaiorquino que recebe a inesperada visita de uma prima vinda da Hungria.

Repoman - A Onda Punk
(Repoman, 1984)
Participação do Circle Jerks, ponta do lendário disc-jóquei Rodney Bingenheimer e ótima música-tema de Iggy Pop num dos roteiros mais absurdos de todos os tempos. Mistura de punk rock, OVNI's e teorias conspiratórias com o submundo da busca e apreensão de veículos. Não entendeu? Assista.

Um amor e uma .45
(Love and a .45, 1994)
É o filme que Eddie Spaghetti teria feito se fosse cineasta. Road movie psicodélico sobre um casal de foras-da-lei que foge para o México após se meter numa série de confusões. Tem Peter Fonda como um hippie sequelado pelo ácido e Reverend Horton Heat -em pessoa- tocando num bordel imaginário ao sul da fronteira. Direção musical de Tom Verlaine e trilha sonora faiscante com Butthole Surfers, Flaming Lips, Meat Puppets e Johnny Cash.

Velvet Goldmine
(Velvet Goldmine, 1998)
O herói (ficcional) do glam rock Brian Slade desaparece do mapa após incendiar a década de 70 e forjar a própria morte. Em 84, um jornalista britânico tem a tarefa de encontrar Slade e passar a limpo sua história selvagem na música pop. Livremente inspirado em David Bowie, fase-Ziggy, e em Iggy Pop, via o personagem Curtis Wild, intepretado com vigor por Ewan McGregor.


Quase Famosos
(Almost Famous, 2000)
Cameron Crowe faz um relato semi-autobiográfico sobre sua adolescência como repórter da Rolling Stone. No filme, um garoto de 15 anos embarca na turnê da banda Stillwater -mui inspirada nos Almann Brothers- para conseguir sua primeira matéria. Uma história sobre a perda da inocência, os excessos e a megalomania do rock dos anos 70 entupida de referências.

C.R.A.Z.Y.
(C.R.A.Z.Y, 2005)
Produção canadense traz um drama familiar singular, repleto de referências pop e o melhor uso de Pink Floyd no cinema. O protagonista, Zac, em conflito com a sexualidade, viaja em seu mundo particular ouvindo "Space Oddity", de Bowie, mas tem que lidar com um pai machão cujo maior objeto de fetiche é um LP da cantora country Patsy Cline. Um dos melhores filmes dos anos 00.

Tenacious D - Uma Dupla Infernal
(Tenacious D in the Pick of Destiny, 2006)
Um músico de rua de meia-idade, sustentado pela mãe, ganha um fã incondicional e monta com ele uma dupla que busca chegar ao megaestrelato. Antes disso, porém, eles precisam encontrar uma palheta de guitarra mágica e feita com lascas do chifre do capeta. Participação hilária de Ronnie James Dio e um Jack Black incontrolável.

Adventures of Power
(Adventures of Power, 2008)
Já imaginou escrever um roteiro baseado em personagens que praticam air guitar? Então esqueça: Adventures of Power é mais pirado que isso. O filme trata de um nerd apaixonado por música e com zero talento musical que descobre no air drums sua verdadeira vocação. E tudo vai mudar quando ele se conectar ao submundo dos aspirantes a air drummers. Um besteirol surreal inédito no Brasil.

Piratas do Rock
(The Boat that Rocked, 2009)
Na década de 60, um barco em águas internacionais hospeda uma rádio pirata flutuante com um bando de DJ's alucinados. Recriado com o mood ingênuo da época, o filme é uma homenagem ao rádio e aos swingin' sixties. Atuações imperdíveis de Phillip Seymour Hoffman e Bill Nighy, e uma trilha crocante com Kinks e Stones.

Gostou da lista? Comente e indique seus filmes.


Nada é impossível: air drums como tema de um longa-metragem


Em C.R.A.Z.Y., é melhor não brincar de imitar Ziggy Stardust
Há seis meses -mais precisamente em setembro de 2010-, a banda canadense Voivod viria ao Brasil pela primeira vez em 25 anos de carreira.

Ainda que tenha perdido o sensacional guitarrista Dennis "Piggy" D'Amour em 2005, vítima de câncer, a banda optou por seguir na estrada. Recrutaram um substituto para a complexa tarefa e ainda contaram com o retorno em boa hora de Jean-Yves Theriault, o Blacky, baixista original, afastado desde 1990, que gravou quase todos os discos essenciais do Voivod.

Com 3/4 de seu line-up original, a banda tem viajado pelo mundo e tocado, na maioria das vezes, ao lado de outros veteranos da cena thrash dos anos 80. Não era exatamente o futuro que eu imaginava para o Voivod, mas, para eles, o gueto do metal é certamente um porto seguro.

O Brasil quase fez parte dessas andanças do Voivod pelo planeta. A apresentação foi cancelada em cima da hora e nossa entrevista pré-agendada com a banda também foi para o vinagre.

O motivo apresentado pela produtora é que os músicos não teriam obtido seus vistos de trabalho em tempo hábil. O show seria, então, remarcado para o início de 2011.

A versão extra-oficial dá conta de que o real motivo para o cancelamento teria sido a baixa procura antecipada por ingressos.

Seja qual for a verdade, o Voivod esteve, sim, na América do Sul no início de 2011. Na verdade, eles andaram por aqui há menos de 2 semanas, mas, no vácuo dos megashows de Iron Maiden e Ozzy Osbourne, a apresentação dos canadenses em Santiago do Chile mal reverberou no Brasil.


A experiência de ver o Voivod ao vivo em 2011 seria uma nostalgia do futuro. O quarteto de Quebec sempre esteve à frente de seus pares no quesito inovação. A cada novo disco, uma proposta musical mais avançada e complexa.

A banda nunca escreveu sobre bobagens satanistas, dragões ou mitologia. E também não me lembro de terem exaltado o "estilo de vida headbanger" em suas letras. A praia do Voivod sempre foi o hiper-espaço, a tecnologia controlando a espécie humana, os alienígenas espiando pela janela ou alguma autocracia num mundo imaginário. E a música sempre acompanhou essa onda.

Piggy tornou-se um ourives das dissonâncias, dos riffs intrincados e solos de guitarras lindamente tortos. E Snake deixou de gritar, tornando-se, cada vez mais, um cantor de fato.

O conceito em volta da banda era claramente a obra de artistas, coisa rara no metal. Em 1989, o baterista e designer Away criou a arte para a capa do clássico "Nothingface" em computador. É isso aí, ilustração digital em 1989. Modernidade sempre foi com esses caras.

A cultura musical do Voivod veio da inspiração causada por gente como Venom, Discharge e Motörhead, mas sua imaginação passeou pelas obras de King Crimson e Pink Floyd (de quem fizeram dois covers extraordinários), materializando essa complexa teia de referências num disco pouco compreendido e de surpreendente sensibilidade pop chamado "Angel Rat".

A disposição de expandir sua atuação para além dos clichês do thrash metal criou uma aura de culto ao redor da banda. Jello Biafra escreveu sobre isso no prefácio de "Worlds Away: Voivod and the Art of Michel Langevin".

E o ex-líder dos Dead Kennedys não é o único célebre fã fora da tribo metal. Kim Thayil (Soundgarden) e Matt Cameron (Pearl Jam) são outros admiradores confessos do Voivod.

Dave Grohl, que dispensa apresentações, vai ainda mais longe. É possível assistir no YouTube a uma entrevista em que ele dedica quase 20 minutos (!) para esmiuçar a discografia, os solos de guitarra e as letras do Voivod.

Uma rápida visita ao Chile para ver esses lendários canadenses teria sido uma saudável loucura.



Acima, uma pequena amostra do Voivod, ao vivo e em alto astral, em Santiago, executando a colossal "Tribal Convictions".