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Para tirar o blog da hibernação em 2017, republicamos no Caixa Preta a resenha do show do Korn, realizado no mês passado em São Paulo, e que cobrimos com exclusividade para o portal Rock On Board. Em breve tem novas colunas por aqui e, finalmente!, o anúncio oficial da estreia de AUDIO ATTACK, nosso programa de rádio. Fiquem de olho!

KORN
19/04/2017
Espaço das Américas
São Paulo – SP

Parece que foi outro dia, mas o Korn, em 2017, já é banda veterana. São os últimos bastiões do nu metal, um subgênero que viveu dias de glória no fim dos anos 1990, gerando assombrosas vendagens de discos. O tempo foi cruel com o estilo e seus outros famosos representantes foram abandonados à irrelevância.

 Já o Korn, com um disco novo embaixo do braço, desembarcou no Brasil com farto espaço nas editorias de entretenimento. E a razão não era “The Serenity of Suffering”, seu décimo-segundo álbum em 24 anos de carreira, mas um fato bastante inusitado: a presença de um moleque de 12 anos integrando sua tão conhecida e sólida formação. Aumentou o frisson o fato de o menino, Tye, ser filho de Rob Trujillo, baixista do Metallica e ex-Ozzy Osbourne e Suicidal Tendencies. A salada estava posta.

Crianças não combinam com bandas de rock. Ponto. E ainda pior quando a banda em questão segue a vertente mais pesada, cantando sobre temas sombrios que muitas vezes envolvem maldades perpetradas contra crianças – não se trata de apologia, pelo contrário, mas esse fato sozinho já aumenta a estranheza.

Os fãs não deixaram de prestigiar o grupo por conta da ausência temporária de Reginald Arvizu. Três mil deles, ou mais, ocuparam a maior parte desse lugar estranho chamado Espaço das Américas, com seu salão amplo e que parece perfeito para festas de formatura.

Muitos aficionados pela banda seguem a moda ditada por eles, de tranças e dreadlocks nos cabelos, além dos indefectíveis agasalhos esportivos sempre bem largos. Não é exatamente o público de outros shows de rock pesado e surpreende que o nu metal, à essa altura, ainda tenha seus próprios e fieis adeptos.

A luz azulada e o som similar ao de uma sirene anunciaram o Korn. E a massa bramiu entusiasmada. Jonathan Davis, de saia estampada, seus comparsas Brian Shaffer e James Welch, de dreadlocks emaranhados, o talentosíssimo Ray Luzier nas baquetas e, à sua direita, sobre uma plataforma que atenuava a baixa estatura, o convidado Tye Trujillo. Todos os olhos nele e o menino, compenetrado, seguia à risca sua função, enquanto a banda executava “Right Now” e “Here to Stay”. Excursionando com o Korn, o tecladista convidado Davey Oberlin colaborava para deixar a experiência mais climática.

O repertório da noite teve canções pinçadas de pelo menos dez discos, sem grande favorecimento a uma fase sobre outra. A irresistível “Word Up”, que em estúdio exibe uma faceta mais pop do Korn, foi interpretada ao vivo de forma fria e desleixada, sequer tocada até o final. Sem dúvida, o ponto baixo da apresentação.

Tye Trujillo, por sua vez, pulverizava as suspeitas sobre a pouca idade e, surpreendentemente, misturava-se com naturalidade aos adultos. Com postura, boa técnica e metido numa camiseta da banda sueca Meshuggah, subia e descia da plataforma, às vezes entusiasmado em poder chacoalhar a cabeleira ao lado do guitarrista Brian “Head” Welch.

A iluminação deixava o palco quase sempre muito claro, e as guitarras, saturadas, com a famosa afinação baixa do nu metal, criavam um clima estranho; quase estéril. Tudo é parte da receita que fez a música do Korn resistir bravamente ao teste do tempo. São diversas faixas baseadas em riffs repetitivos e que criam pequenos mantras, estendidos até explodirem em algum refrão que manda tudo às favas. “Blind”, parte do repertório do show, é ótimo exemplo dessa fórmula que influenciou muita gente, de Sepultura a Linkin Park.

A apresentação teve ainda solo de bateria, Jonathan Davis causando com sua gaita de foles, um dueto de baixo e bateria para prestigiar o baixista mirim, muito aplaudido, e a poderosíssima “Make Me Bad”. “A.D.I.D.A.S”, dessa vez, ficou de fora.

O bis, previsível, trouxe os dois maiores êxitos comerciais do Korn. “Falling Away From Me”, com sua introdução misteriosa e atmosférica, é das melhores coisas que o grupo já produziu e gerou uma tremenda ovação assim que a banda retornou ao palco.

“Freak on a Leash”, por fim, fez todo mundo voltar a 1998, momento em que o Korn foi dos grupos mais populares do planeta, liderando a parada da Billboard e indicado a nove prêmios no Video Music Awards, da MTV. Funciona bem ainda hoje e também como uma pequena cápsula do tempo, que ajuda a explicar sobre os estertores da última boa década da música pop.

Trechos do show do Korn no Espaço das Américas

 *Foto de abertura: Francisco Cepeda.

Black Sabbath são meus Beatles. Sempre estiveram lá, como uma espécie de instituição.

Primeira lembrança talvez seja o álbum "Heaven and Hell" -justamente o primeiro sem Ozzy, vejam só!- que conheci uns três anos após o lançamento. As memórias se misturam com a carreira solo de Ozzy Osbourne, seus clipes no programa Som Pop, o show no primeiro Rock in Rio, que vi pela TV, e o disco duplo ao vivo "Speak of the Devil", só com repertório do Sabbath.

Em algum momento da mesma época um primo mais velho me emprestou duas preciosidades: as versões nacionais de "Paranoid" e "Master of Reality". Ambas com capas muito bem impressas e o icônico rótulo da Vertigo no centro do vinil. Detalhe curioso: a edição brasileira de "Master of Reality", de 1971, tem o nome da banda escrito com uma letra em cada cor; bem diferente do roxo da versão original.

Em 1990 ou 91, para inaugurar meu primeiro CD player, comprei o primeiríssimo álbum de carreira do Sab. A ideia era colecionar a obra da banda em formato compact disc e, preferencialmente, na ordem cronológica. Demorou, mas consegui. E, de quebra, comprei também os dois discos solo do baterista Bill Ward, bootlegs e picture discs.

O Sabbath passou pelo Brasil pela primeira vez em 1992, com a digna formação do álbum "Mob Rules", e lá estava eu para vê-los ao vivo. Tocaram boa parte de seus clássicos, privilegiando os discos que gravaram com Ronnie James Dio. Mas como tornou-se praxe na carreira do grupo, esse line-up logo se esfarelou. Sete anos mais tarde, juntaram-se a Ozzy e Ward para uma reunião que resultou num disco ao vivo e que, por algum motivo chato, também foi interrompida prematuramente. E anos depois, de novo com Dio e Appice sob o nome Heaven & Hell. Pouco senso de ocasião e muitas idas e vindas.

Levou três décadas, mas vi, enfim, na última sexta-feira, meus Beatles ao vivo. Sem Ward, mas com Ozzy, e na esteira do grande momento registrado no álbum "13" - o primeiro de inéditas com Oz em 35 anos. A aura de grandiosidade histórica do grupo parece capaz de ofuscar quase todos os artistas em atividade. E você percebe isso quando vê gente de todas as idades e lugares formarem uma multidão ávida para louvar e desfrutar canções com mais de 40 anos.

A entrada na Praça da Apoteose logo revela os três telões de LED com o clássico logo da banda -sim, aquele do "Master of Reality"- e o adolescente em mim se contém para não derramar as primeiras lágrimas. Nem mesmo o bom set de abertura da banda americana Rival Sons, e seu caldo que mistura hard rock e blues, Free e Led Zeppelin, é capaz de me distrair do fato que dali a instantes teríamos o Black Sabbath no palco.

E então as luzes se apagam. E uma animação nos telões termina com o logo do grupo em chamas. Tony Iommi, recuperado da leucemia que quase lhe tirou a vida, surge com aspecto mais saudável e empunhando sua mítica Gibson SG. A canção "Black Sabbath" abre o show como também inaugurou os próprios anos 70, encerrando a fantasia flower power sessentista e retratando a distopia pós-hippie.

Ozzy é um sobrevivente como Iggy Pop e, tal como o Iguana, epitomiza o próprio rock'n'roll. Geezer é pura elegância, um autêntico lorde inglês e um dos melhores contrabaixistas de sua época. Faltou Bill, que está vivo e bem na Califórnia, mas magoado com seus ex-companheiros. Tommy Cufletos, o substituto várias décadas mais jovem, é ótimo baterista, mas não tem o swing e a imprevisibilidade jazzística do mestre. Em se tratando de Sabbath, não se pode ter tudo e estamos mais do que no lucro.

Fiz de tudo para evitar spoilers e não li qualquer coisa sobre o set list da turnê de despedida. Queria estar aberto a surpresas, mas tive poucas. "After Forever" e "Dirty Women" foram as escolhas menos óbvias, mas o restante do repertório foi pinçado a dedo para agradar as plateias pelo mundo afora. Das treze canções executadas, nada menos que onze são extraídas dos três primeiros discos do Sabbath, que são também seus mais populares. Não há nada de álbuns colossais como "Sabbath Bloody Sabbath" e "Sabotage", e tampouco de "Never Say Die" ou "13". Uma pena, mas para isso criei o set list dos (meus) sonhos no final do post.

Se te falarem que Ozzy está desafinando em algumas músicas, acredite. Ele já fazia isso antes, até em estúdio. Se te disserem que a banda toca agora em ritmo mais cadenciado, também é verdade. Mas eles são os arquitetos do doom e Black Sabbath nunca teve a ver com velocidade. E ainda, se repetirem por aí que som ao vivo não tinha o volume esperado, olha, é bem possível que também seja verdade. Em 1992 eles também não tocaram tão alto assim.

Mas são detalhes. E irrelevantes perto do que é ver as faíscas que ainda resultam da química entre esses gigantes. A obra do grupo, não à toa, é uma mais influentes dos últimos 50 anos. Está em tudo que foi feito na música de forma rebelde desde 1970. E isso é muita coisa.

Obrigado por tudo, Sabbath.

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SET LIST
Rio de Janeiro, 02/11/16

Black Sabbath
Fairies Wear Boots
After Forever
Into the Void
Snowblind
War Pigs
Behind the Wall of Sleep
Bassically/N.I.B.
Rat Salad
Iron Man
Dirty Women
Children of the Grave
Paranoid

SET LIST
Caixa Preta

Black Sabbath
Sabbra Cadabra
Killing Yourself to Live
Sabbath Bloody Sabbath
Never Say Die
Planet Caravan
War Pigs
Hard Road
N.I.B
Iron Man
Supernaut
Symptom of the Universe
God is Dead?
Cornucopia
Snowblind
Paranoid


Agorinha há pouco, Bill Ward tornou-se, por poucos minutos, um dos assuntos mais falados do Twitter no Brasil. Achei, honestamente, que o lendário baterista tivesse morrido -já teve dois infartos antes-, mas está vivo, ainda que amargurado.

Ward, ao que tudo indica, não vai mais participar da volta do Black Sabbath. Isso o exclui, automaticamente, de gravar o novo disco e sair em turnê com a banda. Motivo: ele não concorda com as condições contratuais e se diz escaldado por ter topado coisa semelhante no passado.

Como em todo tipo de negócio que envolve dinossauros do hard rock, os egos são gigantescos e a capacidade de fazer burradas é histórica. A carreira do Sabbath está repleta de oportunidades desperdiçadas por vaidade e falta de visão. Essa reunião de 2012 se encaminha para ser mais uma delas.

Sem acesso a detalhes do contrato, é fácil escolher um lado da história. Bill Ward é um cara sentimental e protagonista de pequenas e desconhecidas histórias de generosidade.

No começo da internet, li um depoimento no fórum de seu website que jamais esqueci: um fã relatava que, quando esteve por meses numa cama de hospital, escreveu uma carta para Ward e recebeu, como resposta, uma fita cassete gravada por Bill em que falava sobre seus próprios percalços e dava força para o fã sair da depressão.

Agora, dá para imaginá-lo brigando com o Sabbath por dinheiro à essa altura da vida?


Em 1990, Bill lançou seu primeiro disco solo: "Ward One: Along the Way". Comprei no ato. É melhor que qualquer coisa que seu ex-colegas fizeram depois que o Sabbath se desintegrou.

"Along the Way" é tão bom justamente por não ser nada óbvio. Bill sequer toca bateria em algumas faixas e apresenta uma elaborada paleta de sons. De baladas e climas atmosféricos -com sintetizadores, efeitos e percussão- a um tipo de rock clássico que ganha muito com a inestimável participação de Jack Bruce, do Cream. A canção "Tall Stories", em que Jack e Bill dividem os vocais, e ainda com a presença da cantora de R&B Lorraine Perry, é de chorar.

O velho comparsa Ozzy Osbourne também canta em "Jack's Land" e "Bombers (Can Open Bomb Bays)", mas consta que as duas faixas não foram liberadas para futuras reedições do álbum.

A enorme e sórdida possibilidade que Sharon Osbourne tenha colocado obstáculos burocráticos num projeto delicado como "Along the Way" apenas reforça a ideia de que Ward, em 2012, deseje tratamento mais nobre do que ser um simples empregado na engrenagem comercial por trás da nova reunião.

Talvez o Sab deveria fazer apenas uma grande e derradeira turnê nostálgica, sem disco novo nem nada, e encerrar com dignidade uma obra que, em seu período fértil, gerou uma das mais assombrosas discografias do rock.

Por isso que, nessa briga, fecho com Bill Ward. E você?


Clipe promocional do álbum "Along the Way": Bill e Oz já foram mais felizes
Há seis meses -mais precisamente em setembro de 2010-, a banda canadense Voivod viria ao Brasil pela primeira vez em 25 anos de carreira.

Ainda que tenha perdido o sensacional guitarrista Dennis "Piggy" D'Amour em 2005, vítima de câncer, a banda optou por seguir na estrada. Recrutaram um substituto para a complexa tarefa e ainda contaram com o retorno em boa hora de Jean-Yves Theriault, o Blacky, baixista original, afastado desde 1990, que gravou quase todos os discos essenciais do Voivod.

Com 3/4 de seu line-up original, a banda tem viajado pelo mundo e tocado, na maioria das vezes, ao lado de outros veteranos da cena thrash dos anos 80. Não era exatamente o futuro que eu imaginava para o Voivod, mas, para eles, o gueto do metal é certamente um porto seguro.

O Brasil quase fez parte dessas andanças do Voivod pelo planeta. A apresentação foi cancelada em cima da hora e nossa entrevista pré-agendada com a banda também foi para o vinagre.

O motivo apresentado pela produtora é que os músicos não teriam obtido seus vistos de trabalho em tempo hábil. O show seria, então, remarcado para o início de 2011.

A versão extra-oficial dá conta de que o real motivo para o cancelamento teria sido a baixa procura antecipada por ingressos.

Seja qual for a verdade, o Voivod esteve, sim, na América do Sul no início de 2011. Na verdade, eles andaram por aqui há menos de 2 semanas, mas, no vácuo dos megashows de Iron Maiden e Ozzy Osbourne, a apresentação dos canadenses em Santiago do Chile mal reverberou no Brasil.


A experiência de ver o Voivod ao vivo em 2011 seria uma nostalgia do futuro. O quarteto de Quebec sempre esteve à frente de seus pares no quesito inovação. A cada novo disco, uma proposta musical mais avançada e complexa.

A banda nunca escreveu sobre bobagens satanistas, dragões ou mitologia. E também não me lembro de terem exaltado o "estilo de vida headbanger" em suas letras. A praia do Voivod sempre foi o hiper-espaço, a tecnologia controlando a espécie humana, os alienígenas espiando pela janela ou alguma autocracia num mundo imaginário. E a música sempre acompanhou essa onda.

Piggy tornou-se um ourives das dissonâncias, dos riffs intrincados e solos de guitarras lindamente tortos. E Snake deixou de gritar, tornando-se, cada vez mais, um cantor de fato.

O conceito em volta da banda era claramente a obra de artistas, coisa rara no metal. Em 1989, o baterista e designer Away criou a arte para a capa do clássico "Nothingface" em computador. É isso aí, ilustração digital em 1989. Modernidade sempre foi com esses caras.

A cultura musical do Voivod veio da inspiração causada por gente como Venom, Discharge e Motörhead, mas sua imaginação passeou pelas obras de King Crimson e Pink Floyd (de quem fizeram dois covers extraordinários), materializando essa complexa teia de referências num disco pouco compreendido e de surpreendente sensibilidade pop chamado "Angel Rat".

A disposição de expandir sua atuação para além dos clichês do thrash metal criou uma aura de culto ao redor da banda. Jello Biafra escreveu sobre isso no prefácio de "Worlds Away: Voivod and the Art of Michel Langevin".

E o ex-líder dos Dead Kennedys não é o único célebre fã fora da tribo metal. Kim Thayil (Soundgarden) e Matt Cameron (Pearl Jam) são outros admiradores confessos do Voivod.

Dave Grohl, que dispensa apresentações, vai ainda mais longe. É possível assistir no YouTube a uma entrevista em que ele dedica quase 20 minutos (!) para esmiuçar a discografia, os solos de guitarra e as letras do Voivod.

Uma rápida visita ao Chile para ver esses lendários canadenses teria sido uma saudável loucura.



Acima, uma pequena amostra do Voivod, ao vivo e em alto astral, em Santiago, executando a colossal "Tribal Convictions".
Terminei de ler há pouco mais de um mês e, dada a boa divulgação, já não é exatamente uma novidade. Ainda assim, recomendo: comprem já a autobiografia de Ozzy Osbourne!

Mesmo se você for louco o suficiente para não apreciar a discografia colossal que Oz construiu ao lado do Sabbath, o livro vale cada centavo pelas descrições absolutamente despudoradas do que foi ser um astro do rock nos anos 70 e 80.

Cada página tem uma história mais trágica ou cômica que a anterior: orgias, incêndio, tiros, acidentes, pó, maconha, prisão, bebedeiras, brigas e muito mais.

Para quem é fã do Black Sabbath então, os relatos das gravações e turnês não têm preço. Na época dos dinossauros, Ozzy e seus comparsas registraram discos emblemáticos em condições que até Deus duvida.

"Volume 4", tido e havido como a grande obra do Black Sabbath, foi escrito e gravado numa mansão de Los Angeles frequentada por malucos e groupies, enquanto a banda consumia toneladas de cocaína. Daí a faixa "Snowblind" e uma paranoia persecutória que terminou com a mansão cercada pela polícia após de um vacilo hilariante do baterista Bill Ward.

Já "Sabbath Bloody Sabbath" foi gravado num castelo supostamente mal assombrado. Depois de um bloqueio criativo, Tony Iommi sacou da manga o riff monstruoso da faixa-título e o resto é história.



Ozzy trata o livro também como um testamento. Ele faz um 'mea culpa' comovente em relação à sua primeira mulher, Thelma, de quem fez gato e sapato. Também pede perdão aos pais e, claro, à Sharon Osbourne, que o aturou em sua fase mais deprimente. A hoje multimilionária celebridade de TV perdoou Ozzy até pela tresloucada tentativa de assassiná-la.

Apesar do tal "cérebro de geléia", Oz faz relatos minuciosos de seus 40 anos no circo do rock'n'roll. Dos integrantes de seitas que peregrinavam atrás do Sabbath até o dia em que arrancou a cabeça de um morcego ao vivo, passando pelos encontros com gente como Frank Zappa, John Bonham e Brian Wilson.

Ozzy é um louco de pedra e esmiúça sua vida em 400 páginas da melhor literatura rock que existe por aí.

Aproveite o feriado para devorar.

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Leia também: Black Sabbath e a arte de criar Paranoid, o disco
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