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Mostrando postagens com marcador Mike Ness. Mostrar todas as postagens
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A reação ao novo disco do Social Distortion, "Hard Times & Nursery Rhymes", lançado no mês passado, coloca, pela primeira vez, os fãs da banda de Orange County em cantos diferentes do ringue.

O álbum -lançado pela Epitaph, do midas Brett Gurewitz- está levando o Social D a novos patamares de popularidade. "Hard Times & Nursery Rhymes" estreou em um inédito 4º lugar da Billboard -segundo informações obtidas no site SXDX- e teve mais de 100.000 cópias vendidas nos EUA nas primeiras duas semanas. Nada mal para uma banda com 30 anos de carreira.

Mas ouvindo opiniões de amigos e acompanhando as discussões em fóruns pela internet, não é difícil perceber que existe, sim, uma minoria bastante desapontada com o caminho escolhido pelo grupo para seu sétimo álbum de estúdio.

A queixa é simples: "Hard Times & Nursery Rhymes" não é pesado o suficiente ou tampouco tem aquele clima de "faca nos dentes" que Mike Ness sabe tão bem empregar em suas interpretações. Além disso, o disco tem backing vocals femininos, algo meio gospel até, e um piano que insiste em se enfiar onde não é chamado. A quantidade de baladas também é maior que a de seu predecessor, "Sex, Love and Rock'n'Roll", embora o lado baladeiro de Ness tenha surgido ainda nos anos 80, com o disco "Prison Bound".

A maioria que defende o novo álbum fica entre a devoção pura e a sensação de que Mike Ness amadureceu como compositor a ponto de arriscar-se em novos territórios enquanto mantém algumas das marcas registradas do Social Distortion.

Todos têm um pouco de razão.

Em certa medida, "Hard Times & Nursery Rhymes" promete mais do que entrega. A primeira música de trabalho, "Machine Gun Blues", é Social D em sua essência. Mas a audição do álbum, na íntegra e com o devido cuidado, revela a opção por uma produção limpa e com alguma orientação radiofônica, além de uma escolha de arranjo e repertório que tira o fã de sua zona de conforto.


Abaixo, Caixa Preta disseca o disco:

"Road Zombie" é uma instrumental envenenada que vem sendo tocada ao vivo já há algum tempo e abre os trabalhos dando as pistas erradas. Lá pela metade do álbum, ficará evidente que a introdução destoa completamente do repertório.

"California (Hustle and Flow)" traz um riff de guitarra reto, reminescente de um AC/DC, o que não é ruim, claro, mas bem diferente. E por diferente, ainda, temos cantoras fazendo os vocais de apoio no refrão. Parece um cruzamento mais "radio friendly" de "Highway 101", do trabalho anterior, com alguma coisa de Black Crowes. A música, no entanto, é melhor que a descrição faz crer.

"Gimme the Sweet and Lowdown" pode tornar-se um dos carros-chefe do disco. Recupera o som do Social D de 15 anos atrás, com a mesma marcação de bateria e tudo, mas, claro, sem a angústia daquela época. A música de Mike Ness reflete sua vida e, já há algum tempo, o junkie deu lugar a um pai de família e músico bem sucedido. Ness parece feliz e sua honestidade como compositor não lhe permite voltar ao fundo do poço com a verdade de anos atrás.

"Diamond in the Rough", a quarta faixa do álbum, brilha com arranjos de guitarra bluesy e aquele clima de "Sometimes I Do", do clássico "Somewhere Between and Hell", de 1992. Assim como em "Sex, Love & Rock'n'Roll", há muito esmero nos back-up vocals. A canção é um dos destaques do álbum.

"Machine Gun Blues" é puro Social D, talvez apenas um pouco suavizado pela produção. Apesar do ceticismo, o disco se segura muito bem até aqui. "Machine Gun Blues" tem um pegajoso riff de guitarra e letra que exalta a cultura gangster da década de 30, tema recorrente, como, de resto, são os versos de outras canções do álbum que repetem clichês como "junkies, winos, pimps and whores", citações ao casal de foras-da-lei Bonnie e Clyde, pin-ups, carrões e tatuagens.

"Bakersfield" foi muitíssimo elogiada pela crítica. Em qualquer resenha que se leia, é tratada como uma peça de blues profunda e de alta intensidade emocional. Mesmo que sua introdução, Deus me perdoe, lembre alguma balada de Lenny Kravitz saída do álbum "5". Um Hammond bem colocado e, mais uma vez, backings bem arranjados, levam a música a um nível de composição que os defensores do disco chamam de "maduro". E, honestamente, até seus 4:30, não soa tão diferente de outros temas confessionais do vocalista. Mas, aí, um desnecessário monólogo esbarra na auto-indulgência do Ness produtor. Material como esse poderia ter sido guardado para um terceiro álbum solo de Mike.

"Far Side of Nowhere" é outra canção ensolarada e com o dedo visível de Johnny Wickersham. É o Social D na auto-estrada, de capota baixa e de bem com a vida. Já diz o refrão: "Put the pedal to the metal / Baby, turn the radio on". Quer pessimismo e amargura? Volte a 1996 ou salte para a próxima canção.

"Alone and Forsaken", original de Hank Williams, foi lançada como um lado B nos anos 90. Aqui, Ness dá novo tratamento a esse tema de um seus cantores country prediletos. Dá para imaginar que será uma requisição do repertório ao vivo da turnê.

"Writing on the Wall" é uma balada fora de hora e que complica as coisas pela primeira vez. Sem o arranjo açucarado e o desnecessário piano, passaria sem sustos.

"Can't Take it With You", por outro lado, soa como uma versão refrescante de algum material gravado em 1990 e no qual as cantoras de apoio só acrescentam. Tem o mesmo pianinho, suposto vilão de outras canções, mas aqui a serviço de um rock'n'roll suculento. Social D em grande forma.

"Still Alive" tem ecos de "Far Behind", faixa gravada em 2007 como bônus para o CD de "Greatest Hits". Versão mais melódica e emotiva da fórmula que a banda consagrou, porém com um escorregão no final e um piano que, de alguma forma, diz muito sobre o disco.

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A versão em vinil de "Hard Times & Nursery Rhymes" traz duas canções adicionais. Um amigo do Caixa Preta fez a gentileza de ripar as faixas de seu LP e nos mandar em gloriosos arquivos MP3.

Vamos a elas:

"Take Care of Yourself", com seu charme meio anos 80, seria, fácil, um dos destaques da versão normal do disco. Bela linha de voz e um riff de guitarra"catchy". Difícil entender como ficou de fora do tracklist do álbum.

"I Won't Run no More" repete a dose de "Take Care of Yourself". Mais uma canção que vai direto ao ponto com a fluidez criativa que Ness esbanja quando joga em seu território. Poderia ser essa a orientação musical do disco? Ouça e tire a dúvida.


Social D toca no popular programa de entrevistas de Conan O'Brien em 18.01.2011.
Primeiro, a dica: a famosa estação de rádio de Los Angeles, KROQ, através da qual tornou-se conhecido o radialista Rodney Bingenheimer, citado em 9 de cada 10 documentários sobre punk, deu uma prévia do novo álbum do Social Distortion.

A faixa "Machine Gun Blues", que integra o track-listing de Hard Times and Nursery Rhymes, pode ser ouvida aqui e acompanhada de uma entrevista (texto) com Mike Ness.


Agora, o aviso: o Portal Rock Press está reestruturando algumas de suas áreas, razão pela qual o Caixa Preta deixará de usar, em breve, a plataforma do Blogger.

Para quem já acessa via portal, nada vai mudar. Mas se você acessa pelo endereço de URL (http://caixapretaprp.blogspot.com/), terá que fazer outro caminho. É simples: visite o portal (http://www.portalrockpress.com.br), clique em "Colunas" e, depois, em "Caixa Preta".

Como parte da migração do blog para o novo formato, as postagens anteriores a setembro de 2010 já foram removidas do histórico do blog. Mas todos os textos voltarão na nova versão.
O Social Distortion nunca foi conhecido por ter uma produção musical prolífica. Da estreia ao segundo disco, a banda levou 5 anos.

Mais tarde, Mike Ness e seus comparsas viveram um período de alta atividade que rendeu alguns discos de ouro e um status que extrapola os guetos do punk.

Em seguida, com o afastamento da Sony Music, a banda precisou de infindáveis 7 anos recheados de todo tipo boato para lançar o álbum que a recolocou de vez na estrada.

Sair da confortável letargia custou, de cara, os serviços do já quarentão John Maurer, baixista que esteve com o grupo por 15 anos. O line-up, então já reformulado pela morte de Dennis Dannel, passou a ser quase uma banda de apoio para Mike Ness.

Foi com essa formação que o Social D aportou no Brasil esse ano pela primeira vez e tocou no Via Funchal, em São Paulo, para impressionantes 5.000 fãs.

Antes de ontem, saiu um comunicado que nos acostumamos a receber em longos intervalos (como da última vez, após 7 anos): o novo disco do Social Distortion está pronto. Sai em janeiro de 2011, com o single "Machine Gun Blues" estreando no mês que vem no iTunes e, por consequência, no resto da internet.


O que esperar do sétimo álbum de carreira da banda? O Caixa Preta aposta numa sonoridade que estará a um passo da faca nos dentes do raivoso White Light, White Heat, White Trash, de 1996, e a meio passo do ensolarado e otimista Sex, Love & Rock'n'Roll, de 2003.

Por trás de uma timidez que alguns têm como leseira, Ness é um artista sagaz. Soube muito bem batizar sua obra cujo perfil é quase autobiográfico. Da rebeldia punk dos 20 anos de idade de Mommy's Little Monster à heroína e ressaca do final dos 80's de Prison Bound, passando pelo reconhecimento artístico e o inferno particular de Somewhere Between Heaven & Hell.

A amargura de uma maturidade cheia de sequelas aparece em White Light, White Heat, White Trash. E o retorno, após um hiato durante o qual trocou a vida de junkie pela de pai e marido, vem com o registro de Sex, Love & Rock'n'Roll.

O novo disco, Hard Times and Nursery Rhymes, pode indicar uma tentativa de estabelecer a comunicação entre o passado turbulento e a placidez da quinta década de vida que se aproxima.

A única canção inédita registrada durante os últimos 7 anos é "Far Behind". Faixa ainda mais melodiosa e assobiável do que se ouviu em parte do repertório de Sex, Love & Rock'n'Roll. Poderia ser uma notícia boa para uns e ruim pra outros, mas a assinatura sonora de Mike Ness parece mesmo indelével.

Trata-se do primeiro, e talvez único, artista egresso do punk rock a incorporar elementos da música de raiz americana e, ainda assim, manter uma interessante conexão com seu passado.

Ness redescobriu Johnny Cash para um novo público em 1990, com a já famosa regravação de "Ring of Fire", nada menos que 15 anos antes da cinebiografia que colocou o "homem de preto" mais uma vez no mapa. O próprio Cash admirava o Social Distortion e Neil Young, outro apreciador, convidou a banda para abrir uma de suas turnês naquela época.

Não são apenas estes dois bastiões da boa música norteamericana que reconhecem em Mike Ness muito mais do que o punk bêbado do ótimo documentário Another State of Mind, de 1983. A deferência de Bruce Springsteen e Brian Setzer os levou a participar do primeiro disco solo de Ness, Cheating at Solitaire, uma mistura envenenada de country, bluegrass e rock'n'roll estradeiro.

Assim, à essa altura já parece pouco importante o quanto a vida de seu mentor pode interferir no sétimo capítulo da saga do Social Distortion.

Para o céu ou para o inferno, muita gente já aguarda ansiosa pelo primeiro mês de 2011.


Acima, Mike Ness e Bruce "The Boss" Springsteen em uma jam em 2009.