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Mostrando postagens com marcador Eddie Spaghetti. Mostrar todas as postagens
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Dezembro é um mês de trágicas mortes no mundo da música. De John Lennon e Dimebag Darrell -assassinados por fãs psicopatas- a Darby Crash, do Germs, que cumpriu um pacto suicida com a namorada.

Essa também foi a época em que Phil Lynott, líder do Thin Lizzy, deu seus últimos suspiros. O vocalista morreu logo após as festas de fim ano, mais precisamente em 4 de janeiro, em decorrência de anos de consumo enlouquecido de drogas. Seus órgãos simplesmente pararam de funcionar com a quantidade de veneno ingerida ao longo da vida. Um desfecho mais sombrio e doloroso que uma overdose.

Caixa Preta se antecipa às homenagens que certamente acontecerão daqui a um ano, quando se completará a data de 25 anos de sua morte, e relembra aqui mais um ano sem o pai do rock irlandês.


Imagine você o que deve ter sido crescer filho de mãe solteira e único negro da escola, do bairro e da cidade inteira na Irlanda dos anos 50?

Agora imagine que, contra todos os prognósticos, esse alvo perfeito de bullying veio a se tornar o mais adorado rock star do país, dono de uma estátua no centro de Dublin e com sua efígie estampada em selos comemorativos dos correios.

E Lynott percorreu uma trajetória igualmente improvável na música. A versão do Thin Lizzy para a cantiga popular "Whiskey in the Jar" fez mais pela auto-estima do povo irlandês, então vivendo numa pindaíba, do que todo o progresso socio-econômico das décadas seguintes.

Um negro irlandês transformar folk em rock no ano de 1973 e ainda emplacar o Top 10 parece obra de ficção.

O documentário "Out of Ireland", exibido há alguns anos no Eurochannel e inédito em DVD, remonta a árvore genealógica do rock'n'roll na Irlanda e dedica ao Thin Lizzy e, mais especialmente a Phil Lynott, um capítulo generoso.

No filme, Bono Vox rasga elogios ao baixista/vocalista e Bob Geldof revela que Lynott vivia o personagem "astro do rock" em tempo integral. "Ia de óculos escuros e jaqueta de couro ao supermercado ao meio-dia".

Filho de um suposto e desconhecido marinheiro brasileiro, Phil é cultuado pela belíssima voz, o carisma, a inteligência e a presença de espírito de um autêntico rock star.

A carreira de Lynott com o Thin Lizzy é irremediavelmente ligada ao hard rock e heavy metal, embora interpretassem esses gêneros de maneira singular e, em seu DNA, fossem pura e simplesmente uma banda de rock'n'roll. E, vez ou outra, com o vocalista justificando sua pele e enveredando pela soul music em temas magníficos.

Difícil classificar o Lizzy, mas sua influência. essa sim, parece não ter fim. De Henry Rollins, que no livro "Get in the Van" declara-se um fã, ao suecos do Cardigans - autores de uma versão açucarada de "The Boys are Back in Town".

Em 2007, o Motörhead incluiu um cover de "Rosalie" em seu show em São Paulo. Na ocasião, Lemmy perguntou se havia fãs do Thin Lizzy na casa. Uns poucos se manifestaram. Decepcionado, disse: "Vamos lá, o cara era brasileiro".

Em 2010, o Supersuckers supreendeu ao abrir seu show em Sampa com um cover de "Are you Ready" - pedrada de um B-side do Thin Lizzy.

Mais de duas décadas de sua morte e a lenda de Phil Lynott sobrevive.



Esse post é minha tentativa de abrir a Caixa Preta e começar a manter esse blog atualizado, com pelo menos um texto novo por semana e mais alguma(s) notinha(s).

Começo hoje, falando que daqui a algumas horas tem a auto-proclamada "maior banda de rock'n'roll do mundo" ao vivo no CB Bar, em São Paulo. Desmarque quaisquer que sejam seus compromissos e vá para "Hell City, Hell" esta noite.

A aparição no Brasil da banda de Tucson, radicada em Seattle, já foi marcada e remarcada algumas vezes. O primeiro sinal de que uma hora o Supersuckers enfim desembarcaria por aqui foi o show solo do líder do bando, Eddie Spaghetti, no ano passado no mesmo CB.

Remexendo no baú, recordo que meu primeiro contato com a banda foi através de um programa numa rádio rock de Santos cujo nome me escapa. A edição teve a participação do dono da loja Studio Tan, de São Paulo, que, no auge da grunge, importava para o Brasil material da Sub Pop.

Os caras apresentaram Tad, o francês Les Thugs e, claro, o infernal Supersuckers. Fiquei fã das três bandas. Mas passados 20 anos, gosto das duas primeiras, mas fã mesmo só do grupo originário do Arizona.

Na mesma época, me lembro de ver os clipes de "Coattail Rider" e "Creepy Jackalope Eye" na MTV. Fui atrás dos discos Smoke of Hell e La Mano Cornuda, que traziam essas e outras faixas de rock'n'roll explosivo. Títulos e capas cabulosas só aumentavam o fator "cool" dessa banda levemente desconhecida por aqui.

Anos depois, numa terça-feira qualquer, estava no centro de São Paulo e resolvi comprar alguns CDs. Não tinha nada em mente, só vontade de ouvir coisa nova. Voltei para casa com o ótimo "Five Lessons Learned", do Swiggin Utters, e o colossal "The Evil Powers of Rock and Roll", do Supersuckers, numa charmosa versão em digipack.

Trata-se de um dos discos mais poderosos e com as guitarras mais "crunchy" gravadas no milênio. A faixa-título e "Cool Manchu" são duas bombas atômicas.

Ao falar desse disco e dos Supersuckers no geral, um amigo cunhou a frase: "Esses caras são o meu AC/DC".

Talvez sejam o meu também.